quarta-feira, 9 de setembro de 2026

SAGRADA ESCRITURA: A Santa Missa é a celebração mais bíblica da Igreja Católica



Prezados Irmãos e Irmãs, Salve Maria.

 

Setembro é tradicionalmente dedicado à Sagrada Escritura! E Durante este mês, somos convidados a aprofundar nosso amor pela Palavra de Deus, reconhecendo que ela é "lâmpada para os nossos pés e luz para o nosso caminho" (Sl 119,105). Entretanto, existe uma verdade que muitos desconhecem: o lugar onde a Bíblia é mais proclamada, explicada e vivida é justamente na Santa Missa!

Infelizmente, ainda ouvimos críticas de pessoas que afirmam que a Missa Católica seria uma invenção dos homens ou uma prática sem fundamento bíblico. Nada poderia estar mais distante da realidade. A Santa Missa nasceu da vontade do próprio Cristo e está firmemente enraizada na Sagrada Escritura, desde o Antigo Testamento até o Novo Testamento.

Desde os tempos de Israel, Deus estabeleceu um culto público para o seu povo. O livro do Êxodo descreve a celebração da Páscoa judaica (Ex 12), enquanto o Levítico apresenta as normas dos sacrifícios oferecidos no Templo. Esses ritos não eram simples cerimônias humanas, mas figuras que preparavam o grande e perfeito sacrifício de Cristo na Cruz.

Nos Evangelhos, encontramos o próprio Senhor Jesus participando regularmente da liturgia judaica. São Lucas registra que Jesus entrou na sinagoga "segundo o seu costume" no dia de sábado e fez a leitura das Escrituras (Lc 4,16-21). Esse detalhe revela que a participação no culto fazia parte da vida do Salvador.

O ponto culminante acontece na Última Ceia. Na noite em que foi entregue, Jesus tomou o pão, deu graças, partiu-o e disse: "Isto é o meu corpo, que é dado por vós; fazei isto em memória de mim" (Lc 22,19). Da mesma forma, tomou o cálice e instituiu a Nova Aliança no seu Sangue. Nesse momento nasce a Eucaristia, coração da Santa Missa.

Após a Ressurreição, os Apóstolos permaneceram fiéis ao mandato do Senhor. O livro dos Atos dos Apóstolos descreve a vida da Igreja nascente afirmando que os primeiros cristãos "eram perseverantes em ouvir o ensinamento dos apóstolos, na comunhão fraterna, na fração do pão e nas orações" (At 2,42). A expressão "fração do pão" era uma das primeiras formas de designar a celebração eucarística.

Outro texto de extraordinária importância é o episódio dos discípulos de Emaús (Lc 24,13-35). Nele encontramos uma estrutura muito semelhante à da Santa Missa celebrada até hoje. Primeiro, Jesus caminha com os discípulos e lhes explica todas as Escrituras referentes a Ele. Em seguida, senta-se à mesa, toma o pão, pronuncia a bênção, parte-o e o entrega aos discípulos, que então o reconhecem. Não é difícil perceber aí os dois grandes momentos da Missa: a Liturgia da Palavra e a Liturgia Eucarística.

São Paulo também testemunha essa realidade. Ao escrever aos cristãos de Corinto, ele transmite aquilo que recebeu do próprio Senhor sobre a instituição da Eucaristia (cf. 1Cor 11,23-26). Além disso, adverte severamente que quem come o Pão ou bebe o Cálice do Senhor indignamente torna-se réu do Corpo e do Sangue de Cristo (1Cor 11,27). Essas palavras somente fazem sentido porque a Eucaristia não é um símbolo vazio, mas a presença verdadeira de Cristo.

Ao longo dos séculos, a Igreja conservou fielmente esse tesouro recebido dos Apóstolos. A estrutura essencial da Missa permaneceu a mesma: proclamação da Palavra de Deus, oferecimento do Sacrifício de Cristo e comunhão dos fiéis. Houve desenvolvimento de ritos, orações e cerimônias, mas nunca mudança da sua essência.

Muitos protestantes afirmam que a Missa "não está na Bíblia". No entanto, basta observar atentamente sua celebração para perceber exatamente o contrário. A Missa começa invocando a Santíssima Trindade (Mt 28,19), proclama diversas leituras bíblicas, canta salmos inspirados, anuncia o Evangelho, renova sacramentalmente o Sacrifício de Cristo instituído na Última Ceia e termina enviando os fiéis para testemunharem o Evangelho no mundo.

Pode-se afirmar, sem exagero, que a Santa Missa é o lugar onde a Sagrada Escritura ganha voz, sentido e plenitude. A Palavra de Deus não é apenas lida, mas anunciada, explicada, celebrada e atualizada sacramentalmente. Como ensinou o Concílio Vaticano II na Constituição Sacrosanctum Concilium, Cristo está presente em sua Palavra, pois é Ele quem fala quando as Escrituras são proclamadas na Igreja. E, na Constituição Dei Verbum, recorda-se que a Igreja sempre venerou as divinas Escrituras como venera o próprio Corpo do Senhor, sobretudo na Sagrada Liturgia.

Por isso, participar da Santa Missa é muito mais do que cumprir um preceito dominical. É entrar na grande história da salvação narrada pela Bíblia e tornada presente no altar! É ouvir o próprio Cristo falar ao coração por meio das Escrituras e, em seguida, recebê-Lo realmente na Santíssima Eucaristia!

Neste Mês da Bíblia, renovemos nosso amor pela Palavra de Deus, lembrando que ela encontra na Santa Missa sua expressão mais elevada. A Bíblia conduz ao altar, e o altar nos faz compreender plenamente a Bíblia. Palavra e Eucaristia formam um único banquete preparado por Deus para alimentar espiritualmente o seu povo.

Semen est Verbum Dei,

EDGAR LEANDRO DA SILVA