Prezados Irmãos e Irmãs, Salve Maria.
Setembro é
tradicionalmente dedicado à Sagrada Escritura! E Durante este mês, somos
convidados a aprofundar nosso amor pela Palavra de Deus, reconhecendo que ela é
"lâmpada para os nossos pés e luz para o nosso caminho" (Sl 119,105).
Entretanto, existe uma verdade que muitos desconhecem: o lugar onde a Bíblia
é mais proclamada, explicada e vivida é justamente na Santa Missa!
Infelizmente, ainda
ouvimos críticas de pessoas que afirmam que a Missa Católica seria uma invenção
dos homens ou uma prática sem fundamento bíblico. Nada poderia estar mais
distante da realidade. A Santa Missa nasceu da vontade do próprio Cristo e está
firmemente enraizada na Sagrada Escritura, desde o Antigo Testamento até o Novo
Testamento.
Desde os tempos de
Israel, Deus estabeleceu um culto público para o seu povo. O livro do Êxodo
descreve a celebração da Páscoa judaica (Ex 12), enquanto o Levítico apresenta
as normas dos sacrifícios oferecidos no Templo. Esses ritos não eram simples
cerimônias humanas, mas figuras que preparavam o grande e perfeito sacrifício
de Cristo na Cruz.
Nos Evangelhos,
encontramos o próprio Senhor Jesus participando regularmente da liturgia
judaica. São Lucas registra que Jesus entrou na sinagoga "segundo o seu
costume" no dia de sábado e fez a leitura das Escrituras (Lc 4,16-21).
Esse detalhe revela que a participação no culto fazia parte da vida do
Salvador.
O ponto culminante
acontece na Última Ceia. Na noite em que foi entregue, Jesus tomou o pão, deu
graças, partiu-o e disse: "Isto é o meu corpo, que é dado por vós; fazei
isto em memória de mim" (Lc 22,19). Da mesma forma, tomou o cálice e
instituiu a Nova Aliança no seu Sangue. Nesse momento nasce a Eucaristia,
coração da Santa Missa.
Após a Ressurreição,
os Apóstolos permaneceram fiéis ao mandato do Senhor. O livro dos Atos dos
Apóstolos descreve a vida da Igreja nascente afirmando que os primeiros
cristãos "eram perseverantes em ouvir o ensinamento dos apóstolos, na
comunhão fraterna, na fração do pão e nas orações" (At 2,42). A expressão "fração
do pão" era uma das primeiras formas de designar a celebração eucarística.
Outro texto de
extraordinária importância é o episódio dos discípulos de Emaús (Lc 24,13-35).
Nele encontramos uma estrutura muito semelhante à da Santa Missa celebrada até
hoje. Primeiro, Jesus caminha com os discípulos e lhes explica todas as
Escrituras referentes a Ele. Em seguida, senta-se à mesa, toma o pão, pronuncia
a bênção, parte-o e o entrega aos discípulos, que então o reconhecem. Não é
difícil perceber aí os dois grandes momentos da Missa: a Liturgia da Palavra e
a Liturgia Eucarística.
São Paulo também
testemunha essa realidade. Ao escrever aos cristãos de Corinto, ele transmite
aquilo que recebeu do próprio Senhor sobre a instituição da Eucaristia (cf.
1Cor 11,23-26). Além disso, adverte severamente que quem come o Pão ou bebe o
Cálice do Senhor indignamente torna-se réu do Corpo e do Sangue de Cristo (1Cor
11,27). Essas palavras somente fazem sentido porque a Eucaristia não é um
símbolo vazio, mas a presença verdadeira de Cristo.
Ao longo dos séculos,
a Igreja conservou fielmente esse tesouro recebido dos Apóstolos. A estrutura
essencial da Missa permaneceu a mesma: proclamação da Palavra de Deus,
oferecimento do Sacrifício de Cristo e comunhão dos fiéis. Houve
desenvolvimento de ritos, orações e cerimônias, mas nunca mudança da sua
essência.
Muitos protestantes
afirmam que a Missa "não está na Bíblia". No entanto, basta observar
atentamente sua celebração para perceber exatamente o contrário. A Missa começa
invocando a Santíssima Trindade (Mt 28,19), proclama diversas leituras
bíblicas, canta salmos inspirados, anuncia o Evangelho, renova sacramentalmente
o Sacrifício de Cristo instituído na Última Ceia e termina enviando os fiéis
para testemunharem o Evangelho no mundo.
Pode-se afirmar, sem
exagero, que a Santa Missa é o lugar onde a Sagrada Escritura ganha voz,
sentido e plenitude. A Palavra de Deus não é apenas lida, mas anunciada,
explicada, celebrada e atualizada sacramentalmente. Como ensinou o Concílio
Vaticano II na Constituição Sacrosanctum Concilium, Cristo está presente
em sua Palavra, pois é Ele quem fala quando as Escrituras são proclamadas na
Igreja. E, na Constituição Dei Verbum, recorda-se que a Igreja sempre
venerou as divinas Escrituras como venera o próprio Corpo do Senhor, sobretudo
na Sagrada Liturgia.
Por isso, participar
da Santa Missa é muito mais do que cumprir um preceito dominical. É entrar na
grande história da salvação narrada pela Bíblia e tornada presente no altar! É
ouvir o próprio Cristo falar ao coração por meio das Escrituras e, em seguida,
recebê-Lo realmente na Santíssima Eucaristia!
Neste Mês da Bíblia,
renovemos nosso amor pela Palavra de Deus, lembrando que ela encontra na Santa
Missa sua expressão mais elevada. A Bíblia conduz ao altar, e o altar nos faz
compreender plenamente a Bíblia. Palavra e Eucaristia formam um único banquete
preparado por Deus para alimentar espiritualmente o seu povo.
Semen est Verbum Dei,
EDGAR LEANDRO DA SILVA
