domingo, 2 de agosto de 2026

COMENTÁRIOS: PORQUE A REENCARNAÇÃO PASSOU A SER CONDENADA PELA IGREJA CATÓLICA? RESPONDENDO A UM ARTIGO ESPÍRITA



Prezados Irmãos e Irmãs, Salve Maria.

 

Um Tal de “Grupo Apologética Espírita” conhecida pela sigla: “GAE” publicou há um tempo atrás o seguinte artigo: “A Igreja (Católica) não condenou a Reecarnação” segue o link abaixo do artigo completo:

https://apologiaespirita.com.br/a-igreja-nao-condenou-a-reencarnacao/

O Referido artigo acima, mistura alguns fatos históricos verdadeiros com diversas conclusões incorretas e afirmações sem base documental. Essa é uma estratégia comum: apresentar informações históricas reais para dar credibilidade a uma tese que, no final, não se sustenta.

Por isso, gostaria então neste artigo, refutar algumas informações que não são verdadeiras sobre o mesmo no que diz respeito a Igreja Católica.

Para facilitar o entendimento, a parte em itálico será o comentário do espírita e a parte em negrito será a minha resposta a ele.

“E, assim, se houve a propalada condenação da reencarnação pela Igreja, é porque ela existia no Cristianismo Primitivo”

Isso é um raciocínio falho. A Igreja condenou: gnosticismo; arianismo; nestorianismo; pelagianismo.

Isso não significa que essas doutrinas fossem parte da fé cristã. Significa apenas que algumas pessoas passaram a ensiná-las. O mesmo ocorre com ideias relacionadas à preexistência da alma...

Além do mais, os primeiros cristãos não acreditavam na Reencarnação. Os documentos mais antigos mostram exatamente o contrário.

Por exemplo: A ressurreição dos mortos era uma verdade central da fé. No Credo professamos:

"Creio na ressurreição da carne." Não diz: "Creio que voltarei diversas vezes."

Os mártires aceitavam morrer porque esperavam a ressurreição final, não uma nova existência terrestre.

“No Sínodo (543), 10 anos, portanto, antes do Concílio Ecumênico de Constantinopla (553), foi condenada a doutrina de Orígenes da preexistência da alma (existência da alma ou espírito antes da concepção do corpo), o que implicava a condenação da reencarnação, pois esta não existe sem a preexistência da alma”

Orígenes não ensinava sobre reencarnação. Esse é um dos maiores equívocos repetidos por autores espíritas.

Orígenes defendia uma teoria chamada preexistência das almas. Isso é diferente da reencarnação!!!

Segundo Orígenes:

Deus criou todas as almas antes do mundo; elas existiam antes do nascimento; conforme seu afastamento de Deus, recebiam corpos.

Mas ele não ensinava o ciclo infinito de múltiplas vidas, como ensina o espiritismo.

Mesmo suas ideias sobre a preexistência foram posteriormente consideradas incompatíveis com a fé cristã...

Justiniano considerava-se maior teólogo do que Vírgílio, o bispo de Roma de sua época, que não era ainda um papa, pois só mais tarde é que os bispos da Capital Roma tornaram-se papas”

Justiniano realmente gostava de interferir nas questões teológicas. Isso é conhecido!

Mas daí concluir que: "ele impôs uma fraude" é outra história completamente diferente. Não existe documento histórico demonstrando essa fraude.

Papa Vigílio era plenamente Bispo de Roma e sucessor de São Pedro.O título "Papa" já era usado muito antes.

E Mesmo que seu uso exclusivo tenha se consolidado mais tarde, isso não significa que ele "não fosse papa". É apenas um jogo de palavras.

“Destarte, entendeu-se, erroneamente, que a preexistência e a reencarnação foram condenadas pela Igreja, em conseqüência do que cerca de um milhão de cristãos reencarnacionistas foram mortos no Oriente Médio (Paul Brunton, “Idéias em Perspectivas”, pág. 118, Ed. Pensamento, e nosso livro “A Reencarnação Segundo a Bíblia e a Ciência”)”

Essa afirmação é completamente sem fundamento. Não existe nenhuma fonte histórica séria que confirme isso. Nenhum historiador especializado em: Cristianismo antigo;  Império Bizantino;  Patrística;  aceita esse número.

É uma afirmação repetida em livros espíritas, mas sem documentação histórica.

“E, assim, se houve a propalada condenação da reencarnação pela Igreja, é porque ela existia no Cristianismo Primitivo”

É falso dizer que os primeiros cristãos acreditavam na reencarnação. Os documentos mais antigos mostram exatamente o contrário. Por exemplo:

A ressurreição dos mortos era uma verdade central da fé. No Credo professamos:"Creio na ressurreição da carne."

Não diz: "Creio que voltarei diversas vezes”. Os mártires aceitavam morrer porque esperavam a ressurreição final, não uma nova existência terrestre...

“Portanto, os católicos estão livres para continuarem crendo ou não na reencarnação!”

Ao contrário, A Igreja Católica não permite acreditar na reencarnação:

"A morte é o fim da peregrinação terrestre do homem... Não existe 'reencarnação' depois da morte."(CIC N°1013)

Esse ensinamento faz parte da doutrina católica. Portanto, um católico não pode professar a reencarnação sem contradizer a fé da Igreja.

 

Ad Majorem Dei Gloriam,

EDGAR LEANDRO DA SILVA