domingo, 28 de setembro de 2025

SAGRADA ESCRITURA: A HISTÓRIA DE JOSÉ DO EGITO

 



Prezados Irmãos e Irmãs, Salve Maria.

E para encerrar este mês dedicado a Sagrada Escritura em especial ao Livro do Gênesis, estaremos comentando sobre a Bela História de José do Egito.


A sublime e emocionante história de José mostra que a Providência divina não abandona seu povo e guia todos os eventos, sabendo  do mal tirar o bem para a salvação do seu povo. “Tudo concorre para o bem dos que amam a Deus” (Rm 8,28) Por isso, “em todas as circunstâncias dai graças a Deus”(1Ts 5,17)


José era Filho de Jacó (Israel) e de Raquel. Era o penúltimo filho entre 12 irmãos (tribos de Israel)E Recebeu de seu pai uma túnica especial, sinal de amor e predileção.


José tinha sonhos proféticos onde simbolicamente seus irmãos e até seus pais se inclinavam diante dele. Isso despertou inveja e ódio. Seus irmãos tramaram matá-lo, mas Rubem (o mais velho) interveio. No fim, venderam-no como escravo para mercadores que iam ao Egito.


No Egito:


Foi vendido a Potifar, oficial do faraó;

Deus o abençoou e ele prosperou, mas foi injustamente acusado pela esposa de Potifar e preso;

Na prisão, interpretou sonhos do copeiro e do padeiro do faraó;


Na Ascensão:


Faraó teve dois sonhos misteriosos (as vacas gordas e magras; as espigas cheias e mirradas).

 José, por inspiração divina, explicou que haveria 7 anos de fartura e depois 7 anos de fome;

 Foi nomeado administrador de todo o Egito para preparar-se para a escassez;


Reencontro e Reconciliação:


Durante a fome, seus irmãos foram ao Egito buscar alimento;

 José os reconheceu, mas eles não o reconheceram;

Após provas e encontros, revelou sua identidade e os perdoou;


Disse a famosa frase:


“Vós intentastes o mal contra mim, mas Deus o transformou em bem” (Gn 50,20).

 Sua família mudou-se para o Egito, preservando a linhagem de Israel.


O Livro do Gênesis termina narrando a morte de Jacó  e de José que são sepultados na Palestina(Cap. 50) É o livro que dá inicio a Bíblia, e é através dele que podemos entender todo o belo plano de Deus para a humanidade, criada para um dia viver para sempre com Deus e desfrutar da sua vida bem-aventurada.

 

Ad Majorem Dei Gloriam,

EDGAR LEANDRO DA SILVA-COORDENADOR 


domingo, 21 de setembro de 2025

SAGRADA ESCRITURA: CAIM E ABEL E O DILÚVIO

 



Prezados Irmãos e Irmãs, Salve Maria.

Dando sequência a este mês dedicado á Sagrada Escritura, estaremos hoje falando sobre o Caim, Abel e o Dilúvio.

Caim e Abel eram filhos de Adão e Eva. Caim era agricultor e Abel era pastor de ovelhas. Ambos ofereceram sacrifícios a Deus: Abel ofereceu o melhor de seu rebanho; Caim, frutos da terra. Deus se agradou da oferta de Abel, mas não da de Caim. Consumido pela inveja, Caim matou Abel, um fratricídio.

O episódio mostra que Deus vê o coração e se agrada da oferta feita com fé e retidão (cf. Hb 11,4).

O pecado da inveja é destacado como algo que destrói o relacionamento humano e afasta da vontade de Deus (cf. CIC §1866).

A pergunta de Caim, "Sou eu, porventura, o guarda do meu irmão?"(Gen 4,9), é um exemplo de indiferença ao próximo — contrária ao mandamento do amor.

Essa resposta expressa ironia e desdém, revelando a falta de responsabilidade e amor fraterno, algo que a Igreja interpreta como consequência do pecado que já havia dominado o coração de Caim.

Deus pune Caim, mas também o protege, mostrando que a justiça divina é acompanhada de misericórdia.

O Dilúvio

A humanidade, após várias gerações, tornou-se profundamente corrupta e violenta. Deus decide purificar o mundo com um dilúvio, preservando apenas Noé, homem justo, sua família e um casal de cada espécie de animal. Após 40 dias de chuva, as águas baixam, Noé oferece sacrifício e Deus estabelece a Aliança com ele, tendo o arco-íris como sinal.

O dilúvio é visto como juízo de Deus contra o pecado, mas também como sinal de nova criação (cf. CIC §71-72).

Noé é figura de Cristo: sua obediência salva sua família, assim como a obediência de Cristo salva a humanidade (cf. 1Pd 3,20-21).

A água do dilúvio prefigura o Batismo, que destrói o pecado e inaugura uma vida nova (Catecismo da Igreja Católica, 1219).

O arco-íris é sinal da aliança eterna e da promessa de Deus de nunca mais destruir toda a vida por água.

 


Na Próxima semana, estaremos abordando a respeito da História de José do Egito

 

Ad Majorem Dei Gloriam,

EDGAR LEANDRO DA SILVA-COORDENADOR 

domingo, 14 de setembro de 2025

SAGRADA ESCRITURA: O PECADO ORIGINAL

 



Prezados Irmãos e Irmãs, Salve Maria.


Dando sequência a este mês  dedicado á Sagrada Escritura, estaremos hoje falando sobre o Pecado Original.

E Segundo o ensinamento da Igreja Católica, o Pecado Original é o primeiro pecado cometido pela humanidade, quando Adão e Eva, instigados pela serpente (o diabo), desobedeceram ao mandamento de Deus no Jardim do Éden.

Deus havia ordenado que não comessem do fruto da “árvore do conhecimento do bem e do mal” (Gn 2,16-17). Porém, movidos pela tentação de “ser como Deus” (Gn 3,5), eles comeram do fruto proibido.


“Ora, a serpente era o mais astuto de todos os animais do campo que o Senhor Deus tinha feito. E disse à mulher: “É verdade que Deus vos disse: Não comereis de nenhuma árvore do jardim?” (...) A mulher, vendo que o fruto da árvore era bom para comer, agradável aos olhos e desejável para adquirir discernimento, tomou do fruto e comeu; e deu também ao marido, e ele comeu” (Gn 3,1-6)


“À mulher disse: “Multiplicarei grandemente o sofrimento da tua gravidez; com dor darás à luz filhos; o teu desejo será para o teu marido, e ele te dominará.” Ao homem disse: “Porque ouviste a voz de tua mulher e comeste da árvore (...) maldita é a terra por tua causa; com fadiga dela tirarás o sustento (...) até que voltes ao solo, pois dele foste tirado; porque tu és pó e ao pó tornarás.” (Gn 3,16-19)


“Portanto, assim como por um só homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado a morte, assim também a morte passou a todos os homens, porque todos pecaram.(Rm 5,12)”


“Assim como, por uma só falta, veio a condenação para todos os homens, assim também, por um só ato de justiça, veio a justificação que dá vida para todos os homens. Pois, como pela desobediência de um só homem muitos foram constituídos pecadores, assim também pela obediência de um só muitos serão constituídos justos. (Rm 5,18-19)”


O Catecismo da Igreja Católica também nos ensina sobre o Pecado Original:

“Deus criou o homem em estado de santidade e justiça originais. Esta graça de santidade original era uma participação na vida divina. Enquanto permanecesse na intimidade divina, o homem não deveria nem morrer, nem sofrer O homem, tentado pelo diabo, deixou morrer no seu coração a confiança em seu Criador, e abusou da sua liberdade, desobedecendo ao mandamento de Deus.A Escritura mostra as consequências dramáticas desta primeira desobediência: Adão e Eva perdem imediatamente a graça da santidade original, têm medo de Deus, rompem a harmonia interior, e a criação fica sujeita à corrupção e à morte. O Pecado Original é transmitido a todos os homens, não por imitação, mas por propagação, como um estado e não como um ato pessoal. Embora o Batismo apague o Pecado Original e restitua a graça santificante, as consequências desse pecado, chamadas “concupiscência”, permanecem e convidam ao combate espiritual” (Catecismo da Igreja Católica §§ 396–409)


O Pecado Original não é uma “culpa pessoal” passada biologicamente, mas uma condição espiritual herdada por toda a humanidade, segundo a qual todos nascem privados da graça original.

Só foi possível restaurar a comunhão com Deus por meio de Jesus Cristo, o novo Adão, que com sua morte e ressurreição venceu o pecado e a morte.


Na Próxima semana, estaremos abordando a respeito de Caim, Abel e o Dilúvio.

 

Ad Majorem Dei Gloriam,

EDGAR LEANDRO DA SILVA-COORDENADOR 

domingo, 7 de setembro de 2025

SAGRADA ESCRITURA: O LIVRO DO GÊNESIS E AS DUAS NARRATIVAS SOBRE A CRIAÇÃO

 



Prezados Irmãos e Irmãs, Salve Maria.


Dando inicio a este mês da Bíblia, neste ano o nosso Apostolado irá abordar a respeito do Livro do Gênesis, o primeiro livro da Bíblia Sagrada.

A Palavra Gênesis vem do grego (génesis – γένεσις), que significa origem, nascimento, princípio ou começo.

E para começar, iremos abordar neste artigo, um pouco a respeito das duas narrativas que contém neste livro sobre a Criação.

A Igreja Católica compreende as duas narrativas da criação (Gn 1,1–2,4a e Gn 2,4b–25) como relatos complementares, inspirados e reveladores da verdade divina, ainda que não apresentados como textos científicos, e sim simbólicos e teológicos.

Essas narrativas revelam, respectivamente, a dimensão objetiva do homem e a sua subjetividade aprofundada, conforme exposto na Teologia do Corpo de São João Paulo II.

As Duas Narrativas da Criação

Primeira narrativa (Gn 1,1–2,4a)

·   Apresenta a criação em seis dias e o descanso no sétimo.

·    Destaca Deus como Elohim, criador ordenado e majestoso.

·     Revela uma definição “objetiva” do ser humano — imagem e semelhança de Deus — exercendo responsabilidade sobre a criação.

Segunda narrativa (Gn 2,4b–25)

·         Apresenta uma criação moldada, onde Javé forma o homem do barro e lhe infunde o sopro vital.   

·         Dá ênfase à subjetividade humana: consciência, relações e liberdade moral.

3. Integração Teológica

·         Segundo São João Paulo II, a primeira narrativa revela a vocação objetiva do homem (criado homem e mulher), enquanto a segunda ilumina a realidade subjetiva: relacionamento, liberdade e comunhão.          

·         A leitura católica destaca que ambos os relatos, embora literariamente distintos, não se contradizem, mas se complementam, revelando a profundidade da dignidade humana, desde sua origem divina até sua estrutura relacional.

4. Contexto Catequético e Pedagógico

·         A abordagem católica, especialmente na catequese, aproveita esses relatos para promover o cuidado com a criação, o valor da dignidade humana e o fundamento da esperança messiânica.   

·         Na catequese popular, costuma-se explicar que o Gênesis não tem o objetivo de narrar “como”, mas revelar “por quê” da criação — o propósito divino e o chamado humano.

·         5. A Arte como Expressão da Fé

A arte cristã, especialmente na tradição católica, tem sido veículo de teologia visual. O afresco “A Criação de Adão”, de Michelangelo, traduz poeticamente o instante em que Deus comunica a vida ao homem — capturando, com grande força simbólica, a união entre o divino e o humano!

 O Gênesis, conforme interpretado pela Igreja Católica, oferece uma rica e complementar visão da criação: a ordem objetiva e majestosa de Deus e a profundidade subjetiva da experiência humana. Esses relatos iluminam nossa vocação de viver como imagem de Deus e em comunhão recíproca. A arte, como “A Criação de Adão”, expande essa mensagem, tornando-a visível e contemplável.

Na Próxima semana, estaremos abordando a respeito do Pecado Original.

 

Ad Majorem Dei Gloriam,

EDGAR LEANDRO DA SILVA-COORDENADOR


FONTES: CATEQUISTAS EM FORMAÇÃO: POR ONDE COMEÇO? Gênesis ou os Evangelhos?

Segunda Catequese da Teologia do Corpo do Papa João Paulo II

A Criação :: Catequese são miguel Arcanjo


IGREJA: Leão XIV proclama santos Carlo Acutis e Pier Giorgio Frassati

 


O papa Leão XIV proclamou hoje (7) os italianos Pier Giorgio Frassati e Carlo Acutis santos da Igreja, decretando sua veneração entre os fiéis.

As canonizações dos novos santos, promulgadas diante de uma multidão de milhares na Praça de São Pedro, foram as primeiras do pontificado de Leão XIV.

A congregação de fiéis, entre os quais estavam a família de Acutis, aplaudiu quando o papa Leão XIV pronunciou o rito de canonização e declarou os dois padroeiros dos jovens os mais novos santos da Igreja.

Na homilia, o papa falou sobre uma passagem do livro bíblico da Sabedoria, que foi lida pelo irmão mais novo de Acutis, Michele, na celebração da missa.

“[Senhor], quem teria aprendido o Teu conselho, se não me deste sabedoria e enviaste do alto o teu Santo Espírito?”, disse Leão XIV, citando a passagem do Antigo Testamento. “Essa pergunta surge depois de dois jovens beatos, Pier Giorgio Frassati e Carlo Acutis, terem sido proclamados santos”.

“Isso é providencial porque, no Livro da Sabedoria, essa pergunta é atribuída justamente a um jovem como eles: o rei Salomão", disse também o papa. "Ele, com a morte de Davi, seu pai, percebeu que tinha muitas coisas: poder, riqueza, saúde, juventude, beleza e realeza”.

Leão XIV falou longamente sobre os dois novos santos em sua homilia, afastando-se da prática de seu antecessor. O papa Francisco normalmente falava pouco nessas ocasiões sobre as pessoas que acabara de canonizar.

Assim como Salomão, disse Leão XIV, os novos santos Carlo e Pier Giorgio entenderam que a amizade com Jesus e seguir fielmente “os projetos de Deus” são maiores do que qualquer outra busca mundana.

Deus “convida-nos a aderir sem hesitação à aventura que Ele nos propõe, com a inteligência e a força que vêm do seu Espírito”, disse hoje o papa.

“Podemos acolher na medida em que nos despojamos de nós mesmos, das coisas e ideias às quais estamos apegados, para nos colocarmos à escuta da sua palavra”, disse também ele.

O papa também falou de outros jovens santos ao longo da história, como são Francisco de Assis, que viram que era sábio preferir o amor a Deus e aos outros às riquezas.

“Hoje olhamos para são Pier Giorgio Frassati e são Carlo Acutis: um jovem do início do século XX e um adolescente dos nossos dias, ambos apaixonados por Jesus e prontos a dar tudo por Ele”, disse ele.

“Queridos, os santos Pier Giorgio Frassati e Carlo Acutis são um convite dirigido a todos nós – especialmente aos jovens – a não desperdiçar a vida, mas a orientá-la para cima e a fazer dela uma obra-prima”, disse também Leão XIV.

Falando sobre a “fórmula vencedora” deles para a santidade, o papa falou sobre as circunstâncias comuns pelas quais eles dedicaram suas vidas a Deus.

“Pier Giorgio encontrou o Senhor através da escola e dos grupos eclesiais – a Ação Católica, as Conferências Vicentinas, a FUCI, a Ordem Terceira Dominicana – e testemunhou-O com a sua alegria de viver e de ser cristão na oração, na amizade, na caridade”, disse ele.

“Carlo, por sua vez, encontrou Jesus na família, graças aos seus pais, Andrea e Antonia – presentes aqui hoje com os dois irmãos, Francesca e Michele –, depois também na escola, e sobretudo nos sacramentos, celebrados na comunidade paroquial”, disse também Leão XIV.

Segundo o papa, os dois santos italianos cultivaram seu amor a Deus e aos irmãos por meio de “atos simples” de “missa diária, oração e, especialmente, adoração eucarística”, que estão disponíveis a todos os fiéis.

No fim da missa, que ele concelebrou com cerca de 2 mil outros padres, o papa Leão XIV invocou a intercessão da Bem-Aventurada Virgem Maria pela paz, “especialmente na Terra Santa e na Ucrânia e em todas as outras terras ensanguentadas pela guerra”.

“Convido todas as autoridades a ouvirem e a deporem as armas que levam à destruição e à morte", disse ele. "Elas nunca trazem paz e segurança”.

“Deus não quer a guerra. Deus quer a paz. Deus sustenta aqueles que lutam pela paz e que seguem o caminho do diálogo”, disse o papa antes de conduzir a congregação na oração do Ângelus.

Leão XIV encerrou o evento dando uma volta pela praça de São Pedro em seu papamóvel, acenando para a multidão e parando frequentemente para abençoar bebês entregues a ele por seus guarda-costas.

Uma peregrina presente na praça, a australiana Caroline Khouri, disse à CNA, agência em inglês da EWTN, que a celebração seria algo que ela “lembraria para sempre”.

“A alegria na atmosfera aqui é incrível”, disse ela.


FONTE:Leão XIV proclama santos Carlo Acutis e Pier Giorgio Frassati

domingo, 31 de agosto de 2025

VIDA DE SANTOS: SANTO ATANÁSIO

 




Santo Atanásio, coluna da Igreja

Plinio Maria Solimeo

 

Um dos maiores santos da História, odiado virulentamente pelos maus, foi entretanto muito amado por sua luta intrépida em defesa da Fé

"O século IV, a idade de ouro da literatura cristã, nos oferece em seus umbrais a figura gigantesca de Atanásio de Alexandria, o homem cujo gênio contribuiu para o engrandecimento da Igreja muito mais que a benevolência imperial de Constantino. Seu nome está indissoluvelmente unido ao triunfo do Símbolo de Nicéia"1, que ainda hoje rezamos.

"Há nome mais ilustre que o de Santo Atanásio entre os seguidores da Palavra da verdade, que Jesus trouxe à terra? Não é este nome símbolo do valor indomável na defesa do depósito sagrado, da firmeza do herói face às mais terríveis provas da ciência, do gênio, da eloqüência, de tudo o que pode representar o ideal de santidade de um Pastor unido à doutrina do intérprete das coisas divinas? Atanásio viveu para o Filho de Deus; Sua causa foi a de Atanásio. Quem estava com Atanásio, estava com o Verbo eterno, e quem maldizia o Verbo eterno maldizia Atanásio"2, comenta Dom Guéranger, o admirável autor eclesiástico do século XIX.

 

Arianismo: heresia devastadora

Deus nosso Senhor permitiu que houvesse várias heresias logo no início da Igreja. Com isso, ao refutá-las, os doutores foram explicitando a verdade católica a partir da Revelação e estabelecendo assim os fundamentos básicos sobre os quais se firmasse a verdadeira doutrina.

Uma das heresias que mais dano causou à Igreja, a partir do século III, foi o arianismo, devido ao apoio que encontrou da parte de muitos bispos e imperadores.

Na segunda metade do século III, Melécio, Bispo de Lycopolis, rompeu com São Pedro de Alexandria, provocando um cisma que dividiu o patriarcado de Alexandria. Melécio caiu em cisma (ou seja, provocou uma divisão) por ter discordado da indulgência do Santo ao receber de volta à Igreja cristãos arrependidos que, por fraqueza, haviam oferecido incenso aos ídolos para evitar a morte.

Ario, homem intrigante, habilidoso, persuasivo, vindo da Líbia, juntou-se aos cismáticos. Elevado ao sacerdócio pelo primeiro sucessor de São Pedro de Alexandria, ambicioso e buscando preeminência, Ario começou a pregar uma nova doutrina, que negava a divindade de Nosso Senhor Jesus Cristo. Santo Alexandre, novo Patriarca de Alexandria, condenou-a como herética.

Atanásio: sustentáculo anti-ariano

"Jamais, talvez, nenhum chefe de heresia possuiu em mais alto grau que Ario as qualidades próprias para esse maldito e funesto papel. Instruído nas letras e na filosofia dos gregos, dotado de uma rara fineza de dialética e de linguagem, ele conseguia dar ao erro o aspecto e o atrativo da verdade. Seu exterior ajudava a sedução. Seu orgulho se disfarçava sob uma simples vestimenta, sob um olhar modesto, recolhido, mortificado, que lhe dava um falso ar de santidade, e ao qual ele sabia aliar um trato gracioso e um tom doce e insinuante"3. Isso lhe abriu a porta dos grandes e poderosos do mundo. Eusébio de Cesaréia lhe concedeu asilo e o protegeu. Eusébio de Nicomédia tornou-se seu mais forte defensor. Por isso sua heresia estendeu-se séculos afora, provocando grande mal à Igreja.

O crescimento e o tumulto da nova heresia preocupou o Imperador Constantino, que enviou o mais venerado Prelado da época, Ósio de Córdoba, a Alexandria, para tentar fazer cessar a "epidemia". Este, estando com Santo Atanásio, reconheceu logo sua ortodoxia; bem como a má-fé e erro de Ario. Por isso, aconselhou o Imperador a convocar um concílio em Nicéia, para condenar a nova heresia. Neste foi composto o famoso Credo de Nicéia, que alguns heresiarcas assinaram constrangidos, e outros, recusando-se a fazê-lo, foram exilados.

Foi ali, na grande assembléia, que um pequeno grande homem, secretário de Santo Alexandre, se fez notar pelo fogo de suas palavras, eloqüência e amor à ortodoxia católica. Era ele Atanásio.

Moldador dos acontecimentos

"Atanásio era uma dessas raras personalidades que deriva incomparavelmente mais de seus próprios dons naturais de intelecto do que do fortuito da descendência ou dos que o rodeiam. Sua carreira quase personifica uma crise na história da Cristandade, e pode-se dizer dele que mais deu forma aos acontecimentos em que tomou parte do que foi moldado por eles"4. A esta descrição psicológica devemos acrescentar sua fé profunda e inabalável, a serviço da qual colocou suas qualidades naturais.

De estatura abaixo da média (pelo que foi objeto de debique por parte do apóstata Juliano), segundo seus biógrafos, era de compleição magra, mas forte e enérgico. Tinha uma inteligência aguda, rápida intuição, era bondoso, acolhedor, afável, agradável na conversação, mas alerta e afiado no debate.

A História não guardou o nome de seus pais. Pela alta formação intelectual que ele demonstra ainda jovem, julga-se que pertencia à classe mais elevada.

Jovem Patriarca de Alexandria

Ainda adolescente, foi notado e apreciado por Santo Alexandre, que o tomou sob sua proteção e, com o tempo, o fez seu secretário. No Concílio de Nicéia ainda não havia recebido a ordenação. Mas, cinco meses depois, Santo Alexandre, ao falecer, designou-o como seu sucessor na Sé de Alexandria. Atanásio tinha apenas trinta anos de idade.

Triste herança recebeu o jovem bispo. Durante seus primeiros anos de episcopado, os melecianos e arianos juntaram-se para tumultuar o povo e lançar o espírito de revolta, de que se alimentam as heresias. Pois o arianismo, se bem que tivesse um suposto fundamento religioso, era mais um partido político de agitadores, como muitos movimentos da esquerda católica de hoje em dia. Não havia calúnia, difamação e ardil que os arianos não inventassem contra Atanásio, para minar sua autoridade.

O Imperador Constantino, perdendo sua mãe Santa Helena, ficou sob a influência de sua irmã Constância, conquistada pela heresia. A pedido dela, fez voltar do exílio os hereges exilados em Nicéia, enquanto perseguia os católicos ortodoxos.

A astúcia dos santos

Apenas retornado do exílio, Eusébio de Nicomédia convoca um concílio em Cesaréia, sede do outro Eusébio ariano, para condenar Santo Atanásio. Este é intimado a comparecer em Tiro — para onde o concílio havia sido transferido — a fim de responder às acusações assacadas contra ele.

Fizeram entrar uma mulher de cabelos desgrenhados que, com altos gritos, acusou o Santo de ter dela abusado. Um dos padres de Atanásio, percebendo o jogo, levantou-se e foi até a impostora, exclamando: "Como! Então é a mim que imputas esse crime?!". Ela, que não conhecia Atanásio, replicou: "Sim, é a ti. Eu bem te reconheço". Houve uma gargalhada geral, e a miserável fugiu cheia de confusão.

Mas isso não desarmou os impostores. Mostrando uma mão ressequida, afirmaram pertencer a um tal Arsênio, que havia tempos desaparecera, e certamente fora esquartejado por Atanásio para efeitos de magia. Atanásio faz entrar na sala o próprio Arsênio, que descobrira na solidão do deserto. Mostrando-o, disse aos acusadores: "Vejam Arsênio, com suas duas mãos. Como o Criador só nos deu duas, que meus adversários expliquem de onde tiraram essa terceira". Os hereges, confundidos, provocaram verdadeiro tumulto e suspenderam a sessão.

Exílio causado por amor à ortodoxia

Com calúnias e outros artifícios, os hereges, que gozavam do prestígio do poder imperial, conseguiram que o Santo fosse exilado cinco vezes.

O primeiro exílio, em Treveris, durou cinco anos e meio, terminando em 337 quando, com a morte de Constantino, seu filho do mesmo nome chamou Atanásio para ocupar novamente sua Sé. No ano anterior, Ario, sentindo-se mal quando era levado em triunfo pelos seus partidários, teve que retirar-se a um lugar escuso, onde morreu com as entranhas nas mãos.

Entretanto, morto o heresiarca, não morreu a heresia, que em 340 conseguiu impor um bispo herege em Alexandria, tendo Atanásio que fugir para o exílio em Roma. Foi bem acolhido pelo Papa, que condenou o intruso.

Atanásio passou três anos em Roma, onde introduziu os monges do Oriente. Publicou na Cidade Eterna grandes obras contra os hereges arianos. Em 343 foi exilado para a Gália.

A década de 346 a 356 foi o período de ouro para Atanásio na Sé de Alexandria. Pôde dedicar-se inteiramente ao ministério episcopal, instruindo o clero e o povo, dedicando-se aos necessitados e favorecendo a vida monástica. Sobretudo fortaleceu na fé os católicos fiéis.

Em um novo concílio, em Milão, em 356, os arianos obtiveram que Santo Atanásio fosse mais uma vez exilado. Ele retirou-se então para o deserto do alto Egito, levando uma vida de anacoreta durante os seis anos seguintes, vivendo com os monges e dedicando-se a seus escritos.

Perseguição inclemente ao Santo

Com a subida de Juliano, o Apóstata, ao trono imperial, Atanásio pôde voltar, em 362, a Alexandria. Mas, pouco depois, ciumento do prestígio do Santo, o ímpio imperador mandou exilá-lo de novo. Não foi por muito tempo, pois Juliano faleceu no ano seguinte, depois de ter tentado restaurar no Império o paganismo. O novo imperador, Joviano, anulou o exílio de Atanásio, que voltou mais uma vez a Alexandria.

Favorecido com a boa vontade do novo Imperador, o patriarca pensava desta vez poder dedicar-se inteiramente às suas ovelhas. Joviano, entretanto, faleceu no ano seguinte, e Atanásio foi mais uma vez exilado. Conta-se que teve de refugiar-se durante quatro meses no túmulo de seu pai.

O povo de Alexandria não podia passar sem seu zeloso pastor. Recorreu nessa ocasião a Valente, irmão do Imperador ariano Valentiniano, e obteve que Atanásio pudesse voltar em paz à sua igreja.

Assim, depois de uma vida tão tumultuada e de tantos perigos, Santo Atanásio, como ressalta o Breviário Romano, "morreu em paz em seu leito", no dia 18 de janeiro de 373. Havia governado, com intervalos, durante 46 anos, a igreja (diocese) de Alexandria.

O grande iluminador

"`No caráter de Atanásio — disse Bossuet — tudo é grande'. Toda sua vida é a revelação de uma energia prodigiosa, que só encontramos em épocas decisivas. Indiscutivelmente, sua grandeza como homem o coloca na primeira linha dos caracteres mais admiráveis que produziu o gênero humano. Como escritor e Doutor, pôde ser chamado o grande iluminador, e coluna fundamental da Igreja"5.

Notas:

1.Fr. Justo Perez de Urbel, OSB, Año Cristiano, Ediciones Fax, Madrid, 1945, 3ª. edição, vol. II, p.253.

2.D. Próspero Guéranger, El Año Litúrgico, Ediciones Aldecoa, Burgos, 1956, tomo III, p. 758.

3.Les Petits Bollandistes, p. 239.

4.The Catholic Encyclopedia, Online Edition.

5.Fr. Justo Perez de Urbel, op. cit., p. 267.

 

FONTE: Santo Atanásio - Bispo e Doutor da Igreja - 02 de maio

 

OBS: Os Destaques são meus.

domingo, 24 de agosto de 2025

TESTEMUNHO DE FÉ: AS CONFISSÕES DE UM EX-IDEÓLOGO DE GÊNERO

 



Professor universitário renomado volta atrás em relação à ideologia de gênero: “Decepcionante ver que os pontos de vista que eu costumava defender com tanto fervor, e com tão poucos fundamentos, foram hoje aceitos por tantas pessoas na sociedade”.

 

Tradução: Equipe Christo Nihil Praeponere


Um historiador canadense que ajudou a popularizar a ideia de gênero como construção social para preservar estruturas de poder tradicionais veio a público fazer um mea culpa sobre sua obra pregressa. Ele não apenas repudiou as consequências do transgenerismo, como admitiu que havia se baseado parcialmente em informações manipuladas para que se confirmassem os seus preconceitos ideológicos.  

Christopher Dummitt, professor associado da School for the Study of Canada, na Trent University, publicou no dia 17 de setembro de 2019, no portal Quilletteum ensaio no qual ele explica sua antiga convicção de que o “sexo era integralmente uma construção social que só dizia respeito ao poder”, admite que sua “grande ideia” passou por cima do bom senso biológico e da liberdade de expressão, e apresenta um “mea culpa por sua responsabilidade em tudo isso”.   

Em 2007, Dummitt publicou um livro sobre o assunto, o qual foi intitulado The Manly Modern: Masculinity in Postwar Canada [“A Virilidade Moderna: Masculinidade no Canadá do Pós-Guerra”]. Em 1998, já havia publicado um artigo baseado em sua dissertação de mestrado, intitulado Finding a Place for Father: Selling the Barbecue in Postwar Canada [“Encontrando um Lugar para o Pai: Vendendo Churrasco no Canadá do Pós-Guerra”]. Segundo ele, o livro foi citado em trabalhos subsequentes sobre o tema, e o seu artigo “foi republicado diversas vezes em manuais para estudantes universitários”.

Apesar do sucesso profissional, Dummitt admite que hoje “se envergonha de alguns dos conteúdos” porque, embora tenha “acertado parcialmente em alguns pontos”, “todo o restante foi basicamente inventado”.

Em seguida, Dummitt faz um esboço do processo por meio do qual inventou e sustentou suas alegações, começando com uma declaração como esta: “Houve uma grande quantidade de variações históricas e culturais” em relação à definição de sexo. Para sustentar essas alegações, “eu tinha meus exemplos favoritos, e finalmente os encaixava em anedotas concisas que eu podia usar em palestras ou conversas”, tais como a mudança de associação das cores azul e rosa aos dois sexos. 

“Em segundo lugar, eu argumentava que toda vez que dizíamos a alguém que algo era masculino ou feminino, aquilo nunca dizia respeito apenas ao sexo”, prossegue. “Aquilo sempre referiria simultaneamente ao poder. E o poder continua sendo uma espécie de palavra mágica na Academia”.

“Portanto, quando alguém negava que gênero e sexo variavam, quando sugeriam que realmente havia algo atemporal ou biológico em relação ao sexo e ao gênero, de fato estavam justificando o poder. Eram apologistas da opressão”, explica. “Isso soa familiar?”

Depois disso, ele “foi em busca de alguma explicação no contexto histórico que mostrasse, num determinado momento histórico, por que as pessoas se referiam a algo como masculino ou feminino”. Ele mesmo admitiu que podia “manipular” os detalhes porque “a história é um lugar imenso. Então, sempre havia algo para encontrar”. 

Dummitt argumenta que estava em “território seguro”, visto que ele “ficava preso aos documentos e reconstruía o que as pessoas falavam”, mas as conclusões que tirava deles eram “intelectualmente falidas” porque “vinham de minhas crenças ideológicas — ainda que, naquela ocasião, eu não tivesse descrito aquilo como ideologia”.

“Eu deveria ter sido mais esperto. Se fosse me submeter a uma psicanálise retroativa, diria que realmente eu era mais esperto”, confessa Dummitt. “Por isso fiquei tão nervoso e fui tão assertivo sobre o que achava que sabia. O objetivo era esconder o fato de que, num nível muito elementar, eu não tinha prova de parte do que estava dizendo. Então, fiquei preso a argumentos de forma fervorosa e denunciei pontos de vista alternativos. Não foi algo belo do ponto de vista intelectual. Por isso é tão decepcionante ver que os pontos de vista que eu costumava defender com tanto fervor — e com tão poucos fundamentos — foram hoje aceitos por tantas pessoas na sociedade”. 

“Decepcionante ver que os pontos de vista que eu costumava defender com tanto fervor, e com tão poucos fundamentos, foram hoje aceitos por tantas pessoas.”

 

Dummitt também observa que seu envolvimento com a ideologia de gênero se explicava parcialmente pelo fato de nunca ter confrontado pontos de vista acadêmicos divergentes. “A crítica de Steven Pinker ao construcionismo social, The Blank Slate: The Modern Denial of Human Nature [‘A Lousa em Branco: a Negação Moderna da Natureza Humana’], foi publicada em 2002 antes que eu terminasse meu doutorado e depois que publiquei meu livro. Porém, não tinha ouvido falar dele, e ninguém nunca me sugeriu que eu tivesse de lidar com seus argumentos e evidências”, observa. “Isso bastaria para lhe revelar muito da bolha em que todos nós vivíamos”.

Ele argumenta que esses problemas são generalizados no campo da “história de gênero”, e aquilo que é considerado “prova” na verdade não passa de um grupo de acadêmicos que gostam de citar-se mutuamente como afirmação.

“Meu raciocínio falho e outros acadêmicos que usam o mesmo tipo de raciocínio agora são usados por ativistas e governos para transformar em lei um novo código moral de conduta”, lamenta Dummitt. “Era diferente quando eu bebia com colegas de graduação e lutava no irrelevante mundo do nosso próprio ego. Mas hoje muitas outras coisas estão em jogo”. Ele ainda crê que o gênero é “socialmente construído” em alguns casos, mas “os críticos dos construcionistas sociais estão certos em erguer as sobrancelhas diante das assim chamadas provas apresentadas por supostos especialistas”.      

“Até que haja acadêmicos seriamente críticos e ideologicamente divergentes quanto a sexo e gênero”, conclui Dummit, “e até que a revisão ‘por pares’ seja mais do que uma forma de controle intra-grupo, teremos de ser, de fato, bastante céticos sobre muito do que se considera ‘expertise’ quanto à construção social de sexo e gênero”.

OBS: OS GRIFOS SÃO MEUS.  

FONTE: As confissões de um ex-ideólogo de gênero