Prezados Irmãos e
Irmãs, Salve Maria!
Ao longo desta série
sobre a relação entre a Bíblia e a Liturgia, já vimos que a Santa Missa nasceu
da vontade de Cristo e que, na Liturgia da Palavra, é o próprio Deus quem
continua falando ao seu povo. Agora somos convidados a descobrir outro aspecto
fascinante: as principais orações da Missa são profundamente enraizadas na
Sagrada Escritura. A Igreja não apenas proclama a Bíblia; ela também reza
com a Bíblia.
Logo no início da
celebração, fazemos o sinal da cruz dizendo: "Em nome do Pai, do Filho
e do Espírito Santo", conforme o mandato de Cristo aos Apóstolos: "Ide,
pois, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, do
Filho e do Espírito Santo" (Mt 28,19).
Em seguida, o
sacerdote saúda a assembleia com palavras inspiradas nas cartas de São Paulo: "A
graça de Nosso Senhor Jesus Cristo, o amor do Pai e a comunhão do Espírito
Santo estejam convosco" (cf. 2Cor 13,13). Não é apenas uma saudação
cordial, mas uma bênção retirada da própria Palavra de Deus.
No Ato Penitencial,
reconhecemos humildemente nossas faltas e pedimos perdão ao Senhor, em sintonia
com a exortação de São Tiago: "Confessai, pois, os vossos pecados uns
aos outros" (Tg 5,16). Em seguida, repetimos o antigo clamor do
Evangelho: "Senhor, tende piedade de nós" (Kyrie eleison), a
mesma súplica feita por tantos que buscavam a misericórdia de Jesus (cf. Mt
15,22; Mc 10,47).
O Glória
começa com o cântico dos anjos na noite do nascimento de Cristo: "Glória
a Deus nas alturas e paz na terra aos homens por Ele amados" (Lc
2,14). Já o Santo une duas visões celestes da Bíblia: o louvor dos
serafins diante do trono de Deus (Is 6,3) e o cântico dos anciãos no Apocalipse
(Ap 4,8), aos quais se soma a aclamação do povo na entrada triunfal de Jesus em
Jerusalém: "Hosana! Bendito o que vem em nome do Senhor!" (Mt
21,9).
Pouco antes da
Comunhão, toda a assembleia proclama: "Senhor, eu não sou digno de que
entreis em minha morada, mas dizei uma palavra e serei salvo." Essas
palavras são inspiradas na belíssima profissão de fé do centurião romano (Mt
8,8), exemplo de humildade e confiança no poder de Cristo.
Até mesmo a resposta "Amém",
repetida diversas vezes durante a Missa, possui origem bíblica. Presente em
numerosos livros das Sagradas Escrituras, ela expressa nossa adesão plena à
vontade de Deus e significa: "Assim seja", ou "É
verdade".
Esses exemplos
mostram que a Santa Missa é uma verdadeira escola da Sagrada Escritura. A cada
celebração, os fiéis rezam com palavras inspiradas por Deus, aprendem a
linguagem da Bíblia e deixam que ela molde sua fé, sua oração e sua vida.
Muitas dessas expressões são repetidas todos os domingos, tornando-se parte da
espiritualidade do povo cristão.
O Catecismo da
Igreja Católica ensina que a Liturgia é o lugar privilegiado onde a Palavra
de Deus é proclamada, acolhida e respondida pela oração da Igreja. Assim, a
Bíblia não permanece apenas nas páginas de um livro, mas torna-se oração viva
da comunidade reunida em torno do altar.
Por isso, cada Missa
é também uma verdadeira escola de oração. Quem participa atentamente da
celebração aprende, quase sem perceber, a rezar com as mesmas palavras que
foram inspiradas pelo Espírito Santo aos profetas, aos salmistas, aos apóstolos
e aos evangelistas. É a própria Escritura ensinando o cristão a dialogar com
Deus.
Na próxima e última
reflexão desta série, contemplaremos o ponto culminante da Liturgia: a
Santíssima Eucaristia, mostrando como toda a Bíblia do Gênesis ao
Apocalipse encontra seu pleno cumprimento no Sacrifício de Cristo renovado
sacramentalmente sobre o altar.
Semen Est Verbum Dei,
EDGAR LEANDRO DA SILVA

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