domingo, 20 de setembro de 2026

SAGRADA ESCRITURA: As orações da Missa são uma verdadeira escola da Sagrada Escritura!

 




Prezados Irmãos e Irmãs, Salve Maria!


Ao longo desta série sobre a relação entre a Bíblia e a Liturgia, já vimos que a Santa Missa nasceu da vontade de Cristo e que, na Liturgia da Palavra, é o próprio Deus quem continua falando ao seu povo. Agora somos convidados a descobrir outro aspecto fascinante: as principais orações da Missa são profundamente enraizadas na Sagrada Escritura. A Igreja não apenas proclama a Bíblia; ela também reza com a Bíblia.

Logo no início da celebração, fazemos o sinal da cruz dizendo: "Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo", conforme o mandato de Cristo aos Apóstolos: "Ide, pois, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo" (Mt 28,19).

Em seguida, o sacerdote saúda a assembleia com palavras inspiradas nas cartas de São Paulo: "A graça de Nosso Senhor Jesus Cristo, o amor do Pai e a comunhão do Espírito Santo estejam convosco" (cf. 2Cor 13,13). Não é apenas uma saudação cordial, mas uma bênção retirada da própria Palavra de Deus.

No Ato Penitencial, reconhecemos humildemente nossas faltas e pedimos perdão ao Senhor, em sintonia com a exortação de São Tiago: "Confessai, pois, os vossos pecados uns aos outros" (Tg 5,16). Em seguida, repetimos o antigo clamor do Evangelho: "Senhor, tende piedade de nós" (Kyrie eleison), a mesma súplica feita por tantos que buscavam a misericórdia de Jesus (cf. Mt 15,22; Mc 10,47).

O Glória começa com o cântico dos anjos na noite do nascimento de Cristo: "Glória a Deus nas alturas e paz na terra aos homens por Ele amados" (Lc 2,14). Já o Santo une duas visões celestes da Bíblia: o louvor dos serafins diante do trono de Deus (Is 6,3) e o cântico dos anciãos no Apocalipse (Ap 4,8), aos quais se soma a aclamação do povo na entrada triunfal de Jesus em Jerusalém: "Hosana! Bendito o que vem em nome do Senhor!" (Mt 21,9).

Pouco antes da Comunhão, toda a assembleia proclama: "Senhor, eu não sou digno de que entreis em minha morada, mas dizei uma palavra e serei salvo." Essas palavras são inspiradas na belíssima profissão de fé do centurião romano (Mt 8,8), exemplo de humildade e confiança no poder de Cristo.

Até mesmo a resposta "Amém", repetida diversas vezes durante a Missa, possui origem bíblica. Presente em numerosos livros das Sagradas Escrituras, ela expressa nossa adesão plena à vontade de Deus e significa: "Assim seja", ou "É verdade".

Esses exemplos mostram que a Santa Missa é uma verdadeira escola da Sagrada Escritura. A cada celebração, os fiéis rezam com palavras inspiradas por Deus, aprendem a linguagem da Bíblia e deixam que ela molde sua fé, sua oração e sua vida. Muitas dessas expressões são repetidas todos os domingos, tornando-se parte da espiritualidade do povo cristão.

O Catecismo da Igreja Católica ensina que a Liturgia é o lugar privilegiado onde a Palavra de Deus é proclamada, acolhida e respondida pela oração da Igreja. Assim, a Bíblia não permanece apenas nas páginas de um livro, mas torna-se oração viva da comunidade reunida em torno do altar.

Por isso, cada Missa é também uma verdadeira escola de oração. Quem participa atentamente da celebração aprende, quase sem perceber, a rezar com as mesmas palavras que foram inspiradas pelo Espírito Santo aos profetas, aos salmistas, aos apóstolos e aos evangelistas. É a própria Escritura ensinando o cristão a dialogar com Deus.

Na próxima e última reflexão desta série, contemplaremos o ponto culminante da Liturgia: a Santíssima Eucaristia, mostrando como toda a Bíblia do Gênesis ao Apocalipse encontra seu pleno cumprimento no Sacrifício de Cristo renovado sacramentalmente sobre o altar.

 

Semen Est Verbum Dei,

EDGAR LEANDRO DA SILVA 

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