Prezados Irmãos e Irmãs, Salve Maria!
Ao longo deste Mês da
Bíblia, refletimos sobre a profunda ligação entre a Sagrada Escritura e a Santa
Missa. Descobrimos que a Liturgia nasceu da Palavra de Deus, que Cristo
continua falando à sua Igreja por meio das Escrituras e que as orações da Missa
são inspiradas na própria Bíblia. Agora chegamos ao ponto culminante dessa
caminhada: a Santíssima Eucaristia, verdadeiro coração da Bíblia e da
Liturgia.
Desde as primeiras
páginas da Sagrada Escritura, Deus preparava a humanidade para esse grande
mistério. O sacrifício de Abel, que ofereceu a Deus as primícias do seu rebanho
(Gn 4,4), o sacrifício de Melquisedeque, que apresentou pão e vinho (Gn 14,18),
e a imolação do cordeiro pascal na noite da libertação do Egito (Ex 12), são
figuras que encontram seu pleno significado em Cristo, o verdadeiro Cordeiro de
Deus.
Durante a caminhada
do povo de Israel pelo deserto, Deus enviou o maná para alimentar seu povo (Ex
16). Entretanto, aquele pão sustentava apenas a vida corporal e não impedia a
morte. No Evangelho de São João, Jesus revela o cumprimento dessa figura ao
afirmar: "Eu sou o Pão da Vida. Vossos pais comeram o maná no deserto e
morreram; quem comer deste pão viverá eternamente" (Jo 6,48-51).
A instituição da
Eucaristia acontece na Última Ceia. Tomando o pão e o vinho, Jesus declarou: "Isto
é o meu Corpo... Este é o cálice do meu Sangue" (cf. Mt 26,26-28; Lc
22,19-20). Com essas palavras, o Senhor não apenas instituiu um memorial, mas
tornou presente sacramentalmente o Sacrifício que seria consumado no Calvário
no dia seguinte. A Missa não repete o
Sacrifício da Cruz; ela o torna presente de maneira sacramental e incruenta em
cada altar da Igreja.
São Paulo confirma
essa verdade ao ensinar que "o cálice da bênção que abençoamos é
comunhão com o Sangue de Cristo, e o pão que partimos é comunhão com o Corpo de
Cristo" (1Cor 10,16). Mais adiante, adverte que quem recebe
indignamente a Eucaristia torna-se réu do Corpo e do Sangue do Senhor (1Cor
11,27-29), uma afirmação que só faz sentido porque a presença de Cristo na
Eucaristia é verdadeira, real e substancial.
A própria Liturgia da
Igreja manifesta essa realidade. A Liturgia da Palavra prepara os fiéis para
acolher o mistério celebrado na Liturgia Eucarística. Assim como os discípulos
de Emaús primeiro ouviram Jesus explicar as Escrituras e depois o reconheceram
ao partir o pão (Lc 24,13-35), também nós somos conduzidos da mesa da Palavra à
mesa da Eucaristia.
O Catecismo da
Igreja Católica ensina que "a Eucaristia é fonte e ápice de toda a
vida cristã" (CIC, n. 1324). Nela se encontra a presença viva de
Cristo, que continua alimentando sua Igreja com sua Palavra e com seu Corpo. É
por isso que a participação na Santa Missa ocupa o centro da vida do católico.
A Constituição
Dogmática Dei Verbum recorda que a Igreja sempre venerou as divinas
Escrituras como também o Corpo do Senhor, sobretudo na Sagrada Liturgia (DV,
21). Palavra e Eucaristia não se opõem, nem podem ser separadas; ao contrário,
completam-se mutuamente. A Palavra prepara os corações para o Sacramento, e o
Sacramento confirma e realiza aquilo que a Palavra anuncia.
Ao contemplarmos toda
a História da Salvação, percebemos que a Bíblia inteira aponta para Cristo. O
Antigo Testamento anuncia sua vinda; os Evangelhos narram sua vida, morte e
ressurreição; as Cartas Apostólicas explicam o mistério da fé; e o Apocalipse
apresenta a liturgia eterna do Céu, onde o Cordeiro imolado é adorado por todos
os santos (Ap 5,11-14). Tudo converge para Jesus Cristo, presente na Santíssima
Eucaristia.
Concluímos esta série,
este mês dedicado a Sagrada Escritura com uma certeza: quem ama a Bíblia será
conduzido à Eucaristia, e quem ama a Eucaristia compreenderá cada vez mais
profundamente a Bíblia. A Palavra de Deus encontra seu cumprimento no
altar, e o altar revela plenamente o sentido da Palavra. Que neste Mês da
Bíblia renovemos nosso amor pelas Sagradas Escrituras e pela Santa Missa, onde
Cristo continua a falar, a ensinar e a alimentar seu povo com o Pão da Vida.
Semen Est Verbum Dei,
EDGAR LEANDRO DA SILVA

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