domingo, 18 de maio de 2025

NOSSA SENHORA: A CORREDENÇÃO E A MEDIAÇÃO UNIVERSAL DE NOSSA SENHORA

 



Prezados Irmãos e Irmãs, Salve Maria Santíssima!

Dando continuação, a este mês dedicado á Nossa Senhora, estaremos hoje abordando um curioso assunto a respeito da Corredenção e da Mediação Universal de Nossa Senhora na Humanidade.

Esta participação singular de Maria na obra da redenção não é apenas uma “opinião piedosa”, mas uma verdade ensinada repetidas vezes pelo Magistério da Igreja.

A relevância das aparições de Maria para a vida cristã e de como os católicos devem interpretá-las segundo a imutável e incorrigível Revelação Divina, elas não têm a missão de acrescentar ou corrigir qualquer ponto da doutrina, mas de ajudar a Igreja a testemunhar mais profundamente os mistérios de Cristo, sobretudo quando estes mistérios parecem caducar em determinados contextos sociais marcadamente hostis à religião

Na mensagem de Lourdes, por exemplo, Nossa Senhora veio recordar a validade da pobreza e da piedade contra a racionalidade materialista e anticlerical do século XIX.

Não há "fruto da graça na história da salvação que não tenha como instrumento necessário a mediação de Nossa Senhora".

 

Em Fátima, por sua vez, a Mãe de Deus insistiu na necessidade de reparação e penitência pelas almas infiéis que, àquela altura, tripudiavam sobre o santíssimo nome de Deus com toda sorte de blasfêmias e injúrias.

É importante agora precisar mais claramente o papel de Maria na história da salvação. Tal esclarecimento nos ajudará a entender por que a Virgem Santíssima veio visitar a humanidade em tantas ocasiões, apresentado-se como meio singular para o acesso às graças de Deus. Quando Bento XVI declarou não existir "fruto da graça na história da salvação que não tenha como instrumento necessário a mediação de Nossa Senhora", ele não estava simplesmente fazendo uso de um exagero retórico próprio da linguagem dos santos  A mediação de Maria faz parte do patrimônio da fé cristã e é a partir desta verdade, tão presente nos ensinamentos dos santos como também no Magistério ordinário da Igreja, que a porção dos fiéis pode unir-se mais eficazmente contra os desvios mundanos, a fim de alcançar a coroa do Céu.

"Foi pela Santíssima Virgem Maria que Jesus Cristo veio ao mundo, e é também por Ela que deve reinar no mundo" [3]: com essas palavras, São Luís Maria Grignon de Montfort resume todo o fundamento da doutrina católica acerca da participação da Mãe de Deus na redenção da humanidade. Como em Deus não há movimento nem mudança, a sua vontade permanece sempre a mesma para todos os efeitos [4]. Ora, Ele escolheu livremente ter uma mãe segundo a carne humana e manter-se submisso aos seus cuidados durante a maior parte de sua vida terrena. Não é difícil concluir, portanto, que essa maternidade divina continua no Céu. A própria Sagrada Escritura nos confirma isso em inúmeras passagens, em especial, nos relatos de São João sobre as últimas palavras de Cristo pregado à cruz: Maria é dada como mãe para toda a humanidade (cf. Jo 19, 25-27; Gn 3, 15; Ap 12, 1-18). E é por meio da cooperação dessa mesma Mãe que nos devem chegar todas as graças da salvação, ou seja, o próprio Jesus Cristo.

Santos de todas as épocas dão crédito a essa doutrina. Falando sobre a cooperação de Nossa Senhora na obra da Redenção, Santo Irineu disse: "Obedecendo, Ela tornou-se causa de salvação para si e para todo o gênero humano"

A Virgem Santíssima completou na própria carne as dores que faltaram à Cruz de Cristo.

Algo semelhante escreveu um discípulo de Santo Anselmo: "Deus é Senhor de todas as coisas, constituindo cada uma delas na sua própria natureza pela voz do seu poder, e Maria é Senhora de todas as coisas, reconstituindo-as na sua dignidade primitiva pela graça, que lhes mereceu"

E para que não reste qualquer dúvida dessa cooperação de Maria, citemos a profecia de Simeão acerca da espada de dor com a qual Ela seria ferida (cf. Lc 2, 35). A Virgem Santíssima completou na própria carne as dores que faltaram à Cruz de Cristo, segundo o ensinamento de São Paulo (cf. Col 1, 24).

No último século, o Magistério ordinário da Igreja também falou repetidas vezes sobre o mesmo assunto.


Os Padres do Concílio Ecumênico Vaticano II, reunidos na Basílica de São Pedro.

Leão XIII, por exemplo, redigiu 13 encíclicas para ressaltar o valor da oração do Rosário. É de sua pena esta belíssima prece, na qual o grande pontífice pede que a Virgem "restitua a tranquilidade da paz aos espíritos angustiados; apresse enfim, na vida privada como na vida pública, o retorno a Jesus Cristo": "Que, no seu poder, a Virgem Mãe, que outrora cooperou por seu amor no nascimento dos fiéis na Igreja, seja ainda agora o instrumento e a guardiã da nossa salvação" [

Não nos esqueçamos ainda das piedosas exortações de Pio XII. O Papa que, conforme contam algumas testemunhas, teria visto o milagre do sol nos jardins do Vaticano, ensinava: "Se Maria, na obra da salvação espiritual, foi associada por vontade de Deus a Jesus Cristo, princípio de salvação, pode-se dizer igualmente que esta gloriosíssima Senhora foi escolhida para Mãe de Cristo 'para lhe ser associada na redenção do gênero humano'"

Palavras semelhantes são encontradas também nas cartas de Pio X, Bento XV, Pio XI, João XXIII, Paulo VI e João Paulo II.

Com tantos papas escrevendo sobre esse assunto, já não se pode dizer ingenuamente que a "mediação universal" de Maria e o seu papel como "corredentora" sejam meras "opiniões piedosas". Embora a Igreja ainda não tenha se manifestado solenemente a esse respeito, por meio de uma declaração ex cathedra, a sua notável presença nos documentos comuns dos Santos Padres leva-nos àquela obediência da fé, que também se aplica ao que propõe o Magistério ordinário e universal, isto é, "o ensino comum e universal de uma determinada doutrina pelo papa e por todos os bispos espalhados pelo mundo"

Aliás, o próprio Concílio Vaticano II referendou tudo isso que dissemos até agora:

Esta maternidade de Maria na economia da graça perdura sem interrupção, desde o consentimento, que fielmente deu na anunciação e que manteve inabalável junto à cruz, até à consumação eterna de todos os eleitos. De fato, depois de elevada ao Céu, não abandonou esta missão salvadora, mas, com a sua multiforme intercessão, continua a alcançar-nos os dons da salvação eterna. Cuida, com amor materno, dos irmãos de seu Filho que, entre perigos e angústias, caminham ainda na terra, até chegarem à pátria bem-aventurada. Por isso, a Virgem é invocada na Igreja com os títulos de advogada, auxiliadora, socorro, medianeira. Mas isto se entende de maneira que nada tire nem acrescente à dignidade e eficácia do único mediador, que é Cristo.

Efetivamente, nenhuma criatura se pode equiparar ao Verbo encarnado e Redentor; mas, assim como o sacerdócio de Cristo é participado de diversos modos pelos ministros e pelo povo fiel, e assim como a bondade de Deus, sendo uma só, se difunde variamente pelos seres criados, assim também a mediação única do Redentor não exclui, antes suscita nas criaturas cooperações diversas, que participam dessa única fonte.

Esta função subordinada de Maria, não hesita a Igreja em proclamá-la; sente-a constantemente e inculca-a aos fiéis, para mais intimamente aderirem, com esta ajuda materna, ao seu mediador e salvador.

Demonstrado o fundamento de nossa fé na cooperação de Maria — cooperação esta que se manisfestou "de modo singular, com sua fé, esperança e ardente caridade, na obra do Salvador, para restaurar nas almas a vida sobrenatural" —, tornam-se mais lúcidas as suas aparições, cujas mensagens resumem-se a uma maior fidelidade à religião cristã, ou seja, ao chamado à santidade.

Maria nunca quer nada para Ela. Ao contrário, a Virgem sempre direciona-nos para o Seu Filho, a fim de que deixemos de ofendê-lO com nossos pecados.

Maria fala contra a indiferença e a tibieza dos corações que já não dão espaço para Jesus.

Mais: a Mãe de Deus escolhe almas inocentes para livremente sofrerem pela conversão dos pobres pecadores. Maria, por meio da consagração que lhe fazem, instrui e protege Seus filhos na batalha contra a serpente maligna, forjando-os no mesmo fogo no qual quis ser forjado o próprio Filho de Deus. Portanto, não há como negar as palavras de São Luís Maria Grignon de Montfort: "Se a devoção à Santíssima Virgem nos afastasse de Jesus, seria preciso rejeitá-la como uma ilusão do demônio. Mas é tão o contrário [...], esta devoção só nos é necessária para encontrar Jesus Cristo, amá-lO ternamente e fielmente servi-lO"

Maria é, realmente, corredentora e medianeira de todas as graças.

Fonte: O que significa dizer que Maria é “corredentora” e “medianeira de todas as graças”?

domingo, 11 de maio de 2025

Nossa Senhora: Maria Santíssima e o Concílio Vaticano II




Prezados Irmãos e Irmãs, Salve Maria Santíssima!

 

Dando continuação, a este mês dedicado á Nossa Senhora, estaremos hoje abordando o assunto a respeito da Relação de Nossa Senhora com o Concílio Vaticano II.

Antes do Concílio, havia um debate teológico entre dois grupos. Um deles entendia a Virgem Maria como membro da Igreja. Apesar de correta, essa abordagem pode, entretanto, resumir a participação de Nossa Senhora no mistério salvífico à mera função de intercessora, como é o caso dos demais santos. A diferença entre estes e aquela seria apenas quantitativa, tendo Maria uma intercessão mais elevada que a dos outros. Mas a posição de Nossa Senhora na economia da salvação, como entendia o outro grupo, não é somente eclesiológica, mas também cristológica, uma vez que Ela, estando unida ao mistério da Encarnação, participou diretamente na redenção da humanidade.

Notem que o primeiro dogma mariano proclamado pela Igreja foi um dogma profundamente cristológico: o dogma da maternidade divina. E ainda que acusem a Igreja dessa época de estar contaminada pelo “romanismo” de Constantino, a verdade é que, desde o tempo apostólico, os cristãos já veneravam a Mãe de Deus pela sua especial proteção, algo que se verifica na mais antiga oração mariana: Sub tuum praesidium:

À vossa proteção recorremos, Santa Mãe de Deus; não desprezeis as nossas súplicas em nossas necessidades; mas livrai-nos sempre de todos os perigos, ó Virgem gloriosa e bendita.

R. Amen.

 

 Sub tuum praesidium confugimus, sancta Dei Genetrix; nostras deprecationes ne despicias in necessitatibus nostris, sed a periculis cunctis libera nos semper, Virgo gloriosa et benedicta.

R. Amen.

Autores antiquíssimos, como é o caso de Santo Ireneu de Lion e Santo Inácio de Antioquia, já chamavam Maria de “nova Eva”, relacionando-a à restauração do gênero humano, conforme a promessa do Gênesis.

Para equilibrar as duas visões, Paulo VI proclamou o título de Maria, Mãe da Igreja, ainda durante as aulas conciliares. Desse modo, o Santo Padre confirmou tanto a posição de Maria como membro da Igreja quanto a sua singularidade entre os demais santos. Maria não é um membro qualquer, mas a Mãe desse corpo, cuja cabeça é Cristo.

No capítulo VIII da Lumen Gentium (n. 56), os padres conciliares atestam que

Maria não foi utilizada por Deus como instrumento meramente passivo, mas cooperou livremente, pela sua fé e obediência, na salvação dos homens. Como diz S. Ireneu, “obedecendo, ela tornou-se causa de salvação, para si e para todo o gênero humano”.

Logo, A Virgem Maria é um membro da Igreja. Maria não estar apenas na ordem da Graça, mas também na ordem hipostática, a saber a união hipostática é mistério da encarnação de Nosso Senhor Jesus Cristo onde tem uma só pessoa e duas naturezas!

FONTE: Sub tuum praesidium - MONTFORT

Mariologia ou Mariomania?


quinta-feira, 8 de maio de 2025

IGREJA: Habemus papam e seu nome é Leão XIV



O cardeal Robert Prevost assumiu o nome de Leão XIV ao se tornar hoje (8) o 267º papa da história e o primeiro nascido nos Estados Unidos.

O papa foi chefe do Dicastério para os bispos durante o pontificado do papa Francisco.

Nascido em 1955 na cidade de Chicago, Prevost foi missionário durante muitos anos no Peru.

O conclave que começou ontem escolheu o novo sucessor de são Pedro no quarto escrutínio.

Antecedentes do novo papa

O cardeal Robert Francis Prevost nasceu em 14 de setembro de 1955, em Chicago, EUA. Ele foi ordenado sacerdote em 19 de junho de 1982, em Roma, e criado cardeal pelo papa Francisco em 30 de setembro de 2023.

Prevost morou no Peru por mais de 40 anos, servindo como missionário, formador e bispo. Em 2015, ele obteve a nacionalidade peruana e recebeu o seu primeiro Documento Nacional de Identidade (DNI, a carteira de identidade peruana). No ano seguinte, ele recebeu o seu DNI eletrônico sem data de validade.

Antes de ser eleito papa, foi prefeito do Dicastério para os Bispos por nomeação do papa Francisco e presidente da Pontifícia Comissão para a América Latina, para a qual foi nomeado em 30 de janeiro de 2023 e se tornou arcebispo ad personam.

Ele estudou no seminário menor dos Padres Agostinianos e se formou em Matemática e Filosofia pela Universidade Villanova. É mestre em Divindade com ênfase em Missão Intercultural pela Catholic Theological Union em Chicago e obteve o doutorado em Direito Canônico com menção magna cum laude pela Angelicum University em Roma em 1987.

Entrou para o noviciado da Ordem de Santo Agostinho em 1977 e fez os votos solenes em 1981. Sua vocação sacerdotal o levou ao Peru, onde desenvolveu uma missão pastoral, evangelizadora e educativa nas dioceses de Chulucanas e Trujillo. Ele foi eleito prior-geral dos Agostinianos em 2001, servindo por doze anos à frente da ordem.

O papa Francisco o nomeou administrador apostólico de Chiclayo em 3 de novembro de 2014 e bispo da mesma diocese em 2015. Ele também serviu como administrador apostólico de Callao.

Desafios para o novo papa

O papa Leão XIV assume a liderança de uma Igreja que enfrenta vários desafios importantes.

Entre os temas mais urgentes estão a perseguição mundial aos cristãos, a resposta à crise de abusos sexuais, incluindo casos como o do ex-jesuíta padre Marko Rupnik, e tensões internas sobre doutrina e liturgia.

O novo papa também terá que enfrentar os desafios impostos pelo Caminho Sinodal Alemão, que propõe mudanças na doutrina e na prática da Igreja, mas encontrou resistência entre bispos de outros países. Este desafio reflete perguntas mais amplas sobre a implementação e a direção da sinodalidade na Igreja universal depois da conclusão do Sínodo da Sinodalidade em 2024.

O acordo, cujos termos são secretos, entre a Santa Sé e a China sobre a nomeação de bispos, renovado diversas vezes pelo papa Francisco, apesar das críticas de defensores dos direitos humanos e relatos de aumento da perseguição religiosa, é um desafio diplomático e pastoral para o novo papa.

Outros temas importantes incluem os conflitos globais em andamento, a polarização dentro da Igreja, o declínio contínuo da prática religiosa no Ocidente e o rápido crescimento da Igreja na África e em partes da Ásia.

fonte: Habemus papam e seu nome é Leão XIV


domingo, 4 de maio de 2025

NOSSA SENHORA: MARIOLOGIA OU MARIOMANIA?

 



Prezados Irmãos e Irmãs, Salve Maria Santíssima!

Parece que tem muita gente preocupada com o crescimento de uma devoção desequilibrada à Virgem Maria. Os abusos existem e ninguém os pode negar. Mas será que é tudo abuso? 

Ou o que está faltando mesmo é estudar Mariologia?

Por isso,  neste mês dedicado á Nossa Senhora, O Nosso Apostolado Defesa Católica gostaria de abordar o assunto a respeito de uma uma mariologia autêntica, baseado num artigo do site do Padre Paulo Ricardo, cujas bases não sejam nem uma visão emocionalmente desequilibrada, com abusos própria de pessoas com dependência afetiva, nem uma visão reducionista do papel de Maria, defendida por quem deseja corresponder aos auspícios do ecumenismo. 

 

Estaremos mais do que nunca ratificando nada mais nada menos aquilo que a própria Igreja Católica ensinou ao longo dos tempos, especialmente no Concílio Vaticano II.

 

É justamente sobre isso que estaremos abordando no próximo artigo!

 

FONTE: Mariologia ou Mariomania?

sábado, 26 de abril de 2025

IGREJA: FRANCISCO É SEPULTADO NA BASÍLICA DE SANTA MARIA MAIOR

 


Francisco é sepultado na basílica de Santa Maria Maior


O caixão com os restos mortais do Papa Francisco foi posto hoje (26) na basílica de Santa Maria Maior, em Roma, em um túmulo preparado de acordo com os desejos do papa argentino, cuja devoção à Virgem Salus Populi Romani, abrigada nesse templo, era conhecida.

O cortejo fúnebre do papa Francisco chegou à basílica de Santa Maria Maior depois de percorrer as ruas de Roma a partir da Praça de São Pedro.

Muitos dos fiéis queriam recebê-lo aos pés desse templo mariano localizado no Esquilino, uma das sete colinas de Roma. Tanto na parte da frente quanto na parte de trás da basílica, havia telões para acompanhar o funeral.

A última vez que um pontífice foi enterrado fora do Vaticano foi em 1903 com o papa Leão XIII, que está em São João de Latrão, a catedral de Roma.

Depois de percorrer lentamente os cerca de seis quilômetros que separam as duas basílicas, o carro que levava o caixão do papa Francisco subiu pela via Cavour até a entrada principal da basílica, onde foi recebido pelo cardeal Rolandas Makrickas, arcipreste coadjutor de Santa Maria Maior.

O caixão também foi recebido por um grupo de pessoas pobres da cidade de Roma, organizados pela Comunidade de Santo Egídio, de quem o papa sempre foi muito próximo.

Francisco quis ser enterrado nessa basílica por causa do ícone da Madonna Salus Populi Romani, a protetora do povo de Roma, diante de quem rezou em mais de 100 ocasiões.

A devoção do papa a essa imagem data de antes de ele ser eleito. Como arcebispo de Buenos Aires, quando viajava a Roma, ele sempre se confiava a ela. Desde 2013, como Papa, ele a visitava antes e depois de toda viagem apostólica que fazia, para pedir sua intercessão e agradecer pelos frutos de sua jornada.

O papa pôde se despedir dessa Madona pouco antes de sua morte, em 12 de abril.

Francisco foi enterrado em um nicho na nave central, entre a Capela Paulina, onde o ícone está localizado, e a Capela Sforza. O local escolhido para o nicho do papa era uma sala onde se guardavam candelabros.

O sepultamento propriamente dito foi feito em particular. O rito foi o mesmo que o de qualquer pontífice. Estavam presentes, entre outros, o camerlengo, cardeal Kevin Farrell, o vigário-geral da diocese de Roma, o prefeito da Casa Pontifícia, o cerimoniário e familiares do papa Francisco.

Os selos do camarlengo, da prefeitura da Casa Papal e do Escritório de Cerimônias Litúrgicas foram estampados no caixão. Além disso, um notário redigiu um documento atestando que o sepultamento havia sido realizado.

Por fim, o caixão foi aspergido com água benta e rezou-se o Salve Regina. O túmulo simples do Santo Padre foi colocado no chão com a inscrição FRANCISCUS e feito de mármore da Ligúria, norte da Itália, terra onde seus avós nasceram e depois emigraram para a Argentina.


FONTE: Francisco é sepultado na basílica de Santa Maria Maior

segunda-feira, 21 de abril de 2025

MORRE O PAPA FRANCISCO



Anúncio do Camerlengo Farrell da Casa Santa Marta: "Às 7h35 desta manhã, o Bispo de Roma, Francisco, retornou à casa do Pai. Toda a sua vida foi dedicada ao serviço do Senhor e da Igreja"

Vatican News

Morre o Papa Francisco. O anúncio foi dado, com pesar, poucos instantes atrás diretamente da Capela da Casa Santa Marta, no Vaticano, por Sua Eminêcia, o cardeal Farrell, com as seguintes palavras:

"Queridos irmãos e irmãs, com profunda tristeza devo anunciar a morte de nosso Santo Padre Francisco. Às 7h35 desta manhã, o Bispo de Roma, Francisco, retornou à casa do Pai. Toda a sua vida foi dedicada ao serviço do Senhor e de Sua Igreja.

Ele nos ensinou a viver os valores do Evangelho com fidelidade, coragem e amor universal, especialmente em favor dos mais pobres e marginalizados.

Com imensa gratidão por seu exemplo como verdadeiro discípulo do Senhor Jesus, recomendamos a alma do Papa Francisco ao infinito amor misericordioso do Deus Trino."

Ontem, domingo, o Pontífice apareceu na sacada da Basílica de São Pedro para a mensagem de Páscoa Urbi et Orbi, deixando sua última mensagem para a Igreja e o mundo.

fonte: Morre o Papa Francisco - Vatican News

domingo, 20 de abril de 2025

COMENTÁRIOS: MENSAGEM URBI ET ORBI PÁSCOA 2025

 



MENSAGEM URBI ET ORBI
DO PAPA FRANCISCO

PÁSCOA 2025

Praça São Pedro
Domingo, 20 de abril de 2025

[Multimedia]

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Cristo ressuscitou, aleluia!

Irmãos e irmãs, Feliz Páscoa!

Hoje ressoa finalmente na Igreja o Aleluia, que corre de boca em boca, de coração a coração, e o seu cântico faz chorar de alegria, no mundo inteiro, o povo de Deus.

Do sepulcro vazio de Jerusalém chega até nós um anúncio sem precedentes: Jesus, o Crucificado, «não está aqui; ressuscitou!» (Lc 24, 6). Não está no túmulo, está vivo!

O amor venceu o ódio. A luz venceu as trevas. A verdade venceu a mentira. O perdão venceu a vingança. O mal não desapareceu da nossa história e permanecerá até ao fim, mas já não lhe pertence o domínio, não tem qualquer poder sobre quem acolhe a graça deste dia.

Irmãs e irmãos, especialmente vós que passais pela dor e pela angústia, o vosso grito silencioso foi ouvido, as vossas lágrimas foram recolhidas e nem sequer uma só se perdeu! Na paixão e morte de Jesus, Deus tomou sobre si todo o mal do mundo e, com a sua infinita misericórdia, derrotou-o: erradicou o orgulho diabólico que envenena o coração humano e semeia violência e corrupção por toda a parte. O Cordeiro de Deus venceu! Por isso, hoje exclamamos: «Ressuscitou Cristo, minha esperança» (Sequência Pascal).

Sim, a ressurreição de Jesus é o fundamento da esperança: a partir deste acontecimento, ter esperança já não é uma ilusão. Não! Graças a Cristo crucificado e ressuscitado, a esperança não engana! Spes non confundit! (cf. Rm 5, 5). E não se trata duma esperança evasiva, mas comprometida; não é alienante, mas responsabilizadora.

Quem espera em Deus coloca as suas mãos frágeis na mão grande e forte d’Ele, deixa-se levantar e põe-se a caminho: juntamente com Jesus ressuscitado, torna-se peregrino de esperança, testemunha da vitória do Amor e do poder desarmado da Vida.

Cristo ressuscitou! Neste anúncio encerra-se todo o sentido da nossa existência, que não foi feita para a morte, mas para a vida. A Páscoa é a festa da vida! Deus criou-nos para a vida e quer que a humanidade ressurja! Aos seus olhos, todas as vidas são preciosas! Tanto a da criança no ventre da mãe, como a do idoso ou a do doente, considerados como pessoas a descartar num número cada vez maior de países.

Quanto desejo de morte vemos todos os dias em tantos conflitos que ocorrem em diferentes partes do mundo! Quanta violência vemos com frequência também nas famílias, dirigida contra as mulheres ou as crianças! Quanto desprezo se sente por vezes em relação aos mais fracos, marginalizados e migrantes!

Neste dia, gostaria que voltássemos a ter esperança e confiança nos outros, mesmo naqueles que não nos são próximos ou que vêm de terras distantes com usos, modos de vida, ideias e costumes diferentes dos que nos são familiares, porque somos todos filhos de Deus!

Gostaria que voltássemos a ter esperança de que a paz é possível! A partir do Santo Sepulcro, Igreja da Ressurreição, onde este ano a Páscoa é celebrada no mesmo dia por católicos e ortodoxos, se irradie sobre toda a Terra Santa e sobre o mundo inteiro a luz da paz. Sinto-me próximo dos cristãos que sofrem na Palestina e em Israel, bem como do povo israelita e palestiniano. É preocupante o crescente clima de antissemitismo que se está a espalhar por todo o mundo. E, ao mesmo tempo, o meu pensamento dirige-se ao povo, em particular, à comunidade cristã de Gaza, onde o terrível conflito continua a gerar morte e destruição e a provocar uma situação humanitária dramática e ignóbil. Apelo às partes beligerantes que cheguem a um cessar-fogo, que se libertem os reféns e se preste assistência à população faminta, desejosa de um futuro de paz!

Rezemos pelas comunidades cristãs do Líbano e da Síria – este último país a atravessar uma fase delicada da sua história –, que anseiam por estabilidade e participação no futuro das respetivas nações. Exorto toda a Igreja a acompanhar com atenção e oração os cristãos do amado Médio Oriente.

Dirijo também um pensamento especial ao povo do Iémen, que está a viver uma das piores crises humanitárias “prolongadas” do mundo devido à guerra, e convido todos a encontrar soluções através de um diálogo construtivo.

Que Cristo ressuscitado derrame o dom pascal da paz sobre a martirizada Ucrânia e encoraje as partes envolvidas a prosseguirem os seus esforços para alcançar uma paz justa e duradoura.

Neste dia de festa, recordemos o Sul do Cáucaso e rezemos pela rápida assinatura e aplicação de um definitivo Acordo de paz entre a Arménia e o Azerbaijão, que leve à tão desejada reconciliação na região.

Que a luz da Páscoa inspire propósitos de concórdia nos Balcãs Ocidentais e apoie os responsáveis políticos a trabalhar para evitar uma escalada de tensões e crises, bem como inspire os parceiros da região a rejeitar comportamentos perigosos e desestabilizadores.

Que Cristo ressuscitado, nossa esperança, conceda paz e conforto aos povos africanos vítimas de violência e conflitos, especialmente na República Democrática do Congo, no Sudão e no Sudão do Sul, e apoie todos quantos sofrem devido às tensões no Sahel, no Corno de África e na Região dos Grandes Lagos, tal como os cristãos que em muitos lugares não podem professar livremente a fé.

Não é possível haver paz onde não há liberdade religiosa ou onde não há liberdade de pensamento nem de expressão, nem respeito pela opinião dos outros.

Não é possível haver paz sem um verdadeiro desarmamento! A necessidade que cada povo sente de garantir a sua própria defesa não pode transformar-se numa corrida generalizada ao armamento. A luz da Páscoa incita-nos a derrubar as barreiras que criam divisões e que acarretam consequências políticas e económicas. Incita-nos a cuidar uns dos outros, a aumentar a solidariedade mútua, a trabalhar em prol do desenvolvimento integral de cada pessoa humana.

Neste momento, não falte a nossa ajuda ao povo do Myanmar que, atormentado por anos de conflito armado, enfrenta com coragem e paciência as consequências do devastador sismo em Sagaing, causador da morte de milhares de pessoas e de sofrimento para muitos sobreviventes, incluindo órfãos e idosos. Rezemos pelas vítimas e pelos seus entes queridos e agradeçamos de todo o coração a generosidade dos voluntários que levam a cabo as operações de socorro. O anúncio do cessar-fogo por parte de vários intervenientes no país é um sinal de esperança para todo o Myanmar.

Apelo a todos os que, no mundo, têm responsabilidades políticas para que não cedam à lógica do medo que fecha, mas usem os recursos disponíveis para ajudar os necessitados, combater a fome e promover iniciativas que favoreçam o desenvolvimento. Estas são as “armas” da paz: aquelas que constroem o futuro, em vez de espalhar morte!

Que o princípio da humanidade nunca deixe de ser o eixo do nosso agir quotidiano. Perante a crueldade dos conflitos que atingem civis indefesos, atacam escolas e hospitais e agentes humanitários, não podemos esquecer que não são atingidos alvos, mas pessoas com alma e dignidade.

E, neste ano jubilar, que a Páscoa seja também uma ocasião propícia para libertar os prisioneiros de guerra e os presos políticos!

Queridos irmãos e irmãs

Na Páscoa do Senhor, a morte e a vida enfrentaram-se num admirável combate, mas agora o Senhor vive para sempre (cf. Sequência Pascal) e infunde em cada um de nós a certeza de que somos igualmente chamados a participar na vida que não tem fim, na qual já não se ouvirá o fragor das armas nem os ecos da morte. Entreguemo-nos a Ele, o único que pode renovar todas as coisas (cf. Ap 21, 5)!

Feliz Páscoa para todos!


FONTE: "Urbi et Orbi" - Páscoa 2025 | Francisco